1 de setembro de 2007

Até voltar, para ti:

«Quero viver na Lua. Levas-me até lá?»

See you!

Esta semana vou eu de férias com a família, aproveitar uns belos dias de praia. Entretanto deixo-vos com uma música que tem estado em repeat no meu rádio, "A morte saiu à rua", do grande José Afonso... Um beijo a todos, até dia 9!



A morte saiu à rua
num dia assim
naquele lugar sem nome
p'ra qualquer fim

Uma gota rubra
sobre a calçada
cai

E um rio de sangue
De um peito aberto
sai

O vento que dá nas canas
do canavial
E a foice de uma ceifeira
de portugal

E o som da bigorna
como um clarim do céu
vão dizendo em toda a parte
o pintor morreu

Teu sangue, pintor reclama
outra morte igual
olho por olho e
dente por dente vale

A lei assassina a morte
que te matou
teu corpo pertence à terra
que te abraçou

Aqui te afirmamos
dente por dente assim
que um dia rirá melhor
quem rirá por fim

Na curva da estrada
há covas feitas no chão
e em todas florirão rosas
de uma nação.

(José Afonso, 1972)

31 de agosto de 2007

Neverwas, 2005

Um belo filme, que passou muito despercebido... Joshua Michael Stern escreve e dirige uma história de descoberta e encantamento, em que o imaginário e o real se fundem nas fronteiras da lucidez. Um conto de fadas para os cépticos. Afinal, porque é que não podemos viver em Neverwas? Quem nos pode impedir de ser os reis do nosso país encantado? Um filho em busca do pai, acaba por encontrar muito mais do que poderia ter desejado... Com mais uma excelente interpretação de Ian McKellen, o resto do cast não fica atrás: Aaron Eckhart, William Hurt, Nick Nolte e Brittany Murphy, entre outros. Não muito amado pela crítica, quanto a mim Neverwas é um conto maravilhoso, destinado a todos, mas principalmente àqueles que não apreciam contos de maravilha! Deixo-vos com um excerto da parte final do filme, que não encontrei o trailer (quer dizer, encontrei. Mas em Húngaro e em Português do Brasil, e esses não contam!).


Enjoy!!! =)

30 de agosto de 2007

I got the no pussy blues...

Ainda dentro do espírito (e porque a arranjei ontem) - mais uma das facetas do mestre... =)

No Pussy Blues - Grinderman


My face is finished, my body's gone.

And I can't help but think standin' up here in all this applause and gazin' down at all the young and the beautiful.

With their questioning eyes.

That I must above all things love myself.

I saw a girl in the crowd,

I ran over I shouted out,

I asked if I could take her out,

But she said that she didn't want to.

I changed the sheets on my bed,

I combed the hairs across my head,

I sucked in my gut and still she said

That she just didn't want to.

I read her Eliot, read her Yeats,

I tried my best to stay up late,

I fixed the hinges on her gate,

But still she just never wanted to.

I bought her a dozen snow-white doves,

I did her dishes in rubber gloves,

I called her Honeybee,

I called her Love,

But she just still didn't want to.

She just never wants to.

I sent her every type of flower,

I played her guitar by the hour,

I patted her revolting little chihuahua,

But still she just didn't want to.

I wrote a song with a hundred lines,

I picked a bunch of dandelions,

I walked her through the trembling pines,

But she just even then didn't want to.

She just never wants to.

I thought I'd try another tack,

I drank a litre of cognac,

I threw her down upon her back,

But she just lay up and said that she just didn't want to.

I thought I'd have another go,

I called her my little ho,

I felt like Marcel Marceau must feel when

she said that she just never wanted to.

She just didn't want to.

I got the no pussy blues.

29 de agosto de 2007

Vamos falar de sexo!


Hoje, numa inocente demanda por óleo corporal, vi-me de repente rodeada por uma míriade de cores fortes, pequenas embalagens alinhadas e chamativas - preservativos. Vai daí, num instante de iluminação, uma dúvida surgiu no meu espírito. Apelo agora à vossa ajuda, visto que a minha fraca experiência no campo não me ajuda na resposta: conseguiram acertar logo com o tamanho? hehe! É que a variedade agora é mais que muita....


Mais tarde, outra domanda na minha mente fervilhante (q'estas coisas arrastam-se umas às outras): ficavam mais chocados se eu vos dissesse que tinha perdido a virgindade aos 13 anos, ou que o sou ainda aos 21?
;P


27 de agosto de 2007

"Nick loves Blixa, ALSF" ;P

Já que estamos numa de nostalgia de concertos (hum... estamos sempre, parece-me!), e visto que finalmente digitalizei esta cena para mandar à Curse, achei por bem dar-vos a conhecer, queridos leitores, honra suprema e absoluta, o meu, o dela, o nosso diário de Paredes de Coura 2005! Verão que o tema principal é obviamente Nick Cave, ou não fôssemos nós caveanas de pura cêpa. Coloco só algumas páginas, mas dá para perceber a ideia. De fora ficam as críticas aos concertos (sim, nós fizémos criticas aos concertos, e depois?), a apreciação das terrinhas do percurso, e o longo e épico monólogo da Curse, intitulado "A culpa é do Nick Cave", que talvez transcreva se ainda tiver paciência para isso no fim do post... ;) O desenho é uma homenagem - aquela que me saiu dos dedos na viagem de regresso...
Porque é que estava tonta? Porque tinha acabado de ir à casa de banho, e quem já o fez no Alfa sabe o que isso significa... O facto de me ter levantado ás 5 da manhã também teria alguma relevância...
Para quem não é de Azeitão (ou seja todos, menos três tristes gatos pingados que por aqui andam) não faz ideia de quem fosse os tal sujeito "prof Poças". Pois bem, como sou magnânima explico: É o caro professor de música que nos atazanou o juízo e que continua hoje em dia a fazê-lo às novas gerações, visto já se ter tornado parte do mobiliário da EB 2+3 . Excelente pessoa, gostava muito dele, mas dava sermões muito grandes. Acreditem. A sério... (notem que a Curse se deu ao trabalho de fazer o Sapinho com os nomes do Nick e do Blixa. Já não bebes mais chá amiga...)
Apesar do tempo, foi uma bela viagem pelo norte. Sim, nós fomos o caminho todo de comboio. Sim, somos loucas, é facto comprovado.

Hum... Feels like Azeitão... Portugal é sempre Portugal, seja em que Portugal estivermos...
A partir daqui - loucura! Foi sem dúvida o dia mais feliz da minha vida até agora. Olhar para este caderno traz-me lágrimas aos olhos. Mas são lágrimas boas. Docinhas. Cheias de recordações deliciosas!
Aqui fica então o monólogo da Curse, obra-prima da literatura de comboio!(desculpa linda, mas é bom demais para não escarrapachar aqui!)
"A culpa é do Nick Cave", por Curse of Millhaven
Isto não é justo! São 40€ p/ a pxxxx do bilhete, + os bilhetes dos comboios e até 50 cêntimos tínhamos de dar se quiséssemos mijar no carxxxx da casa de banho em Campanhã! Q'esta merda fdx!! E tenho o meu boy* à espera, coitadinho, se bem que ele já me fez esperar mt tempo, isso é um facto, mas eu ODEIO fazer esperar! Por isso, Nick isto é para ti:
- É bom que subas ao palco a tempo e horas (não, não subiu)
- É bom que leves o teu fatinho de veludo (não sei se era de veludo. mas não era o que nós queríamos)
- É bom que a tua voz ecoe alto e bom som pelo relvado inundado de gente (confere!)
- É bom que não apareças nem bêbado nem drogado (não se deve misturar o trabalho com os outros "prazeres" da vida). (confere, até prova em contrário)
- É bom que cantes a Nocturama e me olhes nos olhos enquanto o fazes (deves, deves...)
- no fundo, é bom que não defraudes as minhas (melhor dizendo nossas) expectativas de uma virginiana que gosta de chegar sempre a horas (se bem que o atraso não é por tua culpa...).
Enfim, é bom que não nos desiludas senão teremos de te violar no teu camarim branco e preto, encher-te a boca de papel higiénico preto e mergulhar a tua cabeça no puff até sufocares!
E não defraudou, claro. Nem por sombras... Foi... Inigualável como só ele e os seus companheiros sabem ser...

*aqui não devia estar boy, mas para preservar a intimidade dos meus caros amigos, só com expressa autorização da autora aqui coloco a palavra original.
Acho que daqui se pode depreender duas coisas: que nós não jogamos com o baralho todo. E que eu sou uma pessoa muito paciente...
P.S.- Os gatafunhos são meus, a letra redondinha é da Curse. O melhor elogio que já fizeram à minha letra é de que parece muito madura (obrigado lindo!), a partir daqui é só a descer... hehe
Para verem as imagem em pormenor, já sabem, é só clicar em cima.

Espero que tenham gostado. Isto somos nós. É ao mesmo tempo algo íntimo e que apetece partilhar. Mas um blog não é isso mesmo?
Beijos!

25 de agosto de 2007

The Guests

One by one, the guests arrive
The guests are coming through
The open-hearted many
The broken-hearted few
And no one knows where the night is going
And no one knows why the wine is flowing
Oh love
I need you
I need you
I need you
I need you
Oh . . . I need you now
And those who dance, begin to dance
Those who weep begin
And "Welcome, welcome"
cries a voice
"Let all my guests come in."
And no one knows where the night is going ...
And all go stumbling
through that house
in lonely secrecy
Saying "Do reveal yourself"
or "Why has thou forsaken me?"
And no one knows where the night is going ...
All at once the torches flare
The inner door flies open
One by one they enter there
In every style of passion
And no one knows where the night is going ...
And here they take their sweet repast
While house and grounds dissolve
And one by one the guests are cast
Beyond the garden wall
And no one knows where the night is going ...
Those who dance, begin to dance
Those who weep begin
Those who earnestly are lost
Are lost and lost again
And no one knows where the night is going ...
One by the guests arrive
The guests are coming through
The broken-hearted many
The open-hearted few
And no one knows where the night is going ...

Perfeita para uma tarde chuvosa. A versão que ouvem foi a que ouvi primeiro, no Coliseu em Outubro de 2005, pela voz de Antony Hegarty - e que me fez partir finalmente à descoberta do mestre Cohen...


Enjoy!

24 de agosto de 2007

«Amo-te»

Nicoletta: «Atilio, oh, Atilio di Giovanni, io canto il tuo nome, parola che mi apre la porta del paradiso, io non ti perderó mai,lo vogliono gli dei. Quando mi baci, trotano fuori i cavali del'Apocalipse, e si penso al tuo corpo, dificoltoso e vago, la vertigine si mi porta via. La tua divinità maschia ascende al cielo. Sei bello, tu, girasole impazzito di luce, ogni volta che i tuoi occhi si solevano si acende il firmamento. Amici, eco qui che la terra, como una madre, allatta la sua creatura piú bella. Oh amore, ogni cosa é acorta del fervore. Della mia gola alle stelle si alza la parola, come una cometa d'oro - ti amo! Voglio fare l'amore con te adesso

Atilio: «Questo é il piú bel'verso che habbia mai sentito in vita mia



Tradução:
Nicoletta: «Atilio, oh, Atilio di Giovanni, eu canto o teu nome, palavra que me abre a porta do paraíso, não te perderei nunca, é a vontade dos deuses. Quando me beijas, soltam-se os cavalos do Apocalipse, e se penso no teu corpo, difícil e vago, sou tomada por uma vertigem. A tua divindade máscula ascende ao céu. És belo, tu, girassol enlouquecido de luz, cada vez que os teus olhos se abrem acende-se o firmamento. Amigos, eis que a terra, como uma mãe, alimenta a sua mais bela criatura. Oh amor, cada coisa é tomada de fervor. Da minha garganta às estrelas a palavra sobe, como um cometa de ouro - amo-te! Quero fazer amor contigo agora

Atilio: «Este é o verso mais belo que já ouvi em toda a minha vida

(Cena primeira de La Tigre e la Neve, de Roberto Benigni)

Tenho saudades deste filme encantado
Tenho saudades do amor
Da magia

A mais bela declaração de amor jamais ouvida... Ou vista...

(desculpem se houver algum erro, mas foi o melhor que consegui fazer de ouvido)

23 de agosto de 2007

Torre de Babel, ou o poder da comunicação

Segundo o Velho Testamento, Deus teria lançado as diferentes línguas entre os homens para os castigar pela sua soberba ao tentarem construir uma torre que chegasse aos céus. Ao verem-se impedidos de comunicar, a empresa falhou... Desculpem se houver imperfeições, mas não me dei ao trabalho de ir ler a fonte. Adiante. Para o que aqui me interessa, este episódio vem apenas demonstrar a consciência aguda que o homem tem da importância da linguagem na comunicação e nas relações interpessoais. E na nossa sociedade de tendências globalizantes, a necessidade de ser multilíngue é cada vez mais aguda... Para que é que eu estou para aqui a falar nisto, perguntam-se vós? Foi uma reflexão que me atingiu com muita força nos últimos dias, ao ver a impossibilidade dos meus amigos italianos de comunicarem e interagirem com os meus amigos portugueses, visto que nem uns falavam nem português nem inglês, nem os outros italiano. Se tivermos em conta que o Esperanto não pegou lá muito bem, e gostemos ou não da língua, temos de admitir que saber falar pelo menos inglês é essencial. Eu sei bem como é que isso me safou nos primeiros tempos em Itália, quando ainda não tinha adquirido vocabulário nativo. É uma situação bastante deseperante, querer conversar, conhecer uma pessoa, e não o conseguir. Viajar sem saber falar mais que a nossa lingua mãe, a não ser que sejamos anglo-saxónicos, é uma empresa bastante arriscada, diga-se... Neste caso, impossibilitou qualquer empatia, momentos agradáveis foram perdidos, porque não se conseguia uma harmonia no grupo. Havia sempre um lado da mesa que ficava sem perceber a conversa, sem partilhar as ideias, sem participar na risada. Acaba também por ser muito cansativo ser o único elemento de ligação, o intérprete, o anfitrião. Não é que não me traga prazer fazer este papel, mas é uma carga que acaba por se tornar pesada. Enfim... As maravilhas do nosso país foram na mesma apreciadas, e ficou no ar a promessa de um curso de inglês, para tornar as coisas mais fluídas da próxima vez - pois com certeza que haverá uma próxima vez! :D
Desta vez o percurso foi: Setúbal, Palmela, Sintra, Sesimbra e quatro dias para ver Lisboa.
Ficou o encantamento do local, mas as gentes não puderam ser apreciadas em todo o seu esplendor, infelizmente... Maroto, este Deus, hum?! ;)

A foto acima foi tirada pelo Matteo. Com uma máquina soberba, como se pode ver... hehe!

Baci a tutti!! Be good! ;P

20 de agosto de 2007

Nocturnal me

Estes dias têm sido muito intensos, estou muito cansada... Uma pérola de Ocean Rain de Echo & The Bunnymen para relaxar. "Take me internally, forever yours nocturnal me...". Como é que 1983 soa tão bem agora?