Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

3 de outubro de 2007

Pássaros Feridos

«Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia a solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento... Pelo menos é o que diz a lenda. (...)* O pássaro com o espinho cravado no peito segue uma lei imutável impelido por ela, não sabe o que é impalar-se e morre cantando. No instante em que o espinho penetra, não há nele consciência do morrer futuro; limita-se a cantar e canta até que não lhe sobra vida para emitir uma única nota. Mas nós, quando enfiamos os espinhos no peito, nós sabemos, compreendemos. E assim mesmo fazêmo-lo.»

Colleen McCullough, Pássaros Feridos

* O parêntises é o livro inteiro. Só para saberem. =)


To be by your side, Nick Cave & The Bad Seeds. Pareceu-me apropriado...

12 de setembro de 2007

Mort

Para benefício de alguns leitores, e porque apetece, hoje trago-vos "Mort", de Terry Pratchett, um livro absolutamente hilariante, com um humor que raia o genial. Este é o segundo volume de uma série passada no Discworld, mundo em forma de disco, que repousa sobre quatro elefantes, que por sua vez repousam na carapaça da Grande A'Tuin, uma gigantesca tartaruga espacial. Também é descrito no Guia Discworld como "uma pizza geológica, mas sem anchovas". Para mais pormenores, visitem o site do autor, vale bem a pena. Voltando ao livro, esta é a história de Mortimer, Mort para os amigos, que por diversas vicissitudes se vê como aprendiz da Morte. Sim, ela mesma, com gadanha e tudo. A morte gosta de cozinhar, de comer, e de gatinhos. E tem um garanhão branco chamado Binky. Mort mete-se, como convém, em sarilhos sérios, ao longo de todo o livro. São no entanto a linguagem cáustica e o humor irónico de Terry que me leva a rir até às lágrimas... Deixo-vos com um pequeno excerto, para abrir o apetite! Nota positiva também para a excelente tradução de Mário Dias Correia, que há poucas coisas tão desagradáveis como uma má tradução!
« O ar adquiriu um toque espesso, oleoso, e as profundas sombras à volta de Mort orlaram-se de arco-íris azuis e purpúreos. A figura avançou para ele, com a capa a ondular e os pés a fazerem pequenos ruídos secos no empedrado. Eram, aliás, os únicos sons - o silêncio descera sobre a praça como um grande pedaço de algodão em rama.
O Efeito, verdadeiramente impressionante, foi estragado por uma mancha de gelo no chão.
- OH, MERDA.
Não foi exactamente uma voz. As palavras estavam lá, sem dúvida, mas chegaram à cabeça de Mort sem se darem ao incómodo de passar pelos ouvidos.
O rapaz precipitou-se para ajudar a figura caída, e deu por si a agarrar uma mão que era apenas osso polido, liso e amarelecido como uma velha bola de bilhar. O capuz deixou ver um crânio cru, que voltou para ele as órbitas vazias. (...)
- Espero que não se tenha magoado, senhor - disse, delicadamente.
A caveira arreganhou os dentes. Claro, pensou Mort; também não tinha alternativa.»
Resta dizer que a Morte fala sempre em maiúsculas, como convém a uma Morte de respeito...

Enjoy!! =)

10 de setembro de 2007

O Perfume, 2006

Consegui finalmente ontem ver este maravilhoso filme, Perfume, Story of a Murderer.
Baseado no assombroso romance de Patrick Süskind, que posso dizer que é um dos livros da minha vida, considero-o uma adaptação muito bem feita. Muito bem feita mesmo! Tem um odor visual total, perfeito! O mais próximo que eu podia pedir do que imaginei quando mergulhei nas páginas e na vida de Grenouille, o vilão mais miserável da raça humana, porque nunca pode a ela pertencer. Eu não dou votos, mas se desse, este por mim levava 5/5, em termos de lealdade ao romance que lhe está na origem, em termos visuais, de banda sonora, e de interpretação, claro está. Ben Whishaw entra muito bem na pele de Jean-Baptiste, e só tenho uma objecção a fazer - é demasiado bonito!! Sim, tem um nariz grande, mas é demasiado sensual, demasiado belo. Para mim, pelo menos. Para mim o Jean-Baptiste Grenouille perfeito é um ex-colega a li da fcsh... a Maria e a Curse sabem de quem falo. Juro que quando o conheci pensei, "este é a cara do protagonista do perfume...". Mas como ninguém teve a gentileza de pedir a minha opinião na altura de fazer os castings, assim ficámos! Tenho de admitir que em termos visuais, o Ben torna o Jean-Baptiste muito mais agradável, mas desperta simpatia pelo seu ar delicado, pelo menos no segmento feminino, e não por aquela espécie de fatalidade que nos toca no livro... Seja como for, filme maravilhoso, soberbo. Quero o dvd!!!!
Deixo-vos com o trailer, para abrir o apetite a quem ainda não deliciou os olhos com esta pérola:



Enjoy! (sniffff!!!!!)

7 de agosto de 2007

15 de julho de 2007

Sei que estou de férias...

...quando estou a ler pelo menos três livros ao mesmo tempo...

"Entre os sécculos XV e XVII, os processos de bruxaria conduzem à fogueira sobretudo mulheres, que representam oitenta por cento das condenações. Os tratados de demonologia, escritos por teólogos, inquisidores ou magistrados a partir de confissões obtidas sob tortura, descrevem as práticas a que as bruxas se entregam, desde a cópola com Satanás para obterem os seus poderes maléficos, ao roubo de crianças recém-nascidas a fim de serem comidas ou transformadas em unguentos... Porém, para a autora, a feminilidade e o perigo que ela representa foram o verdadeiro móbil desta perseguição. Um fenómeno mais político do que religioso, que levou à construção no masculino do Estado moderno, e que desapareceria apenas quando as bruxas deixaram de ser necessárias, ou seja, quando as mulheres foram colocadas sob «tutela», o que as tornava menos perigosas. Contudo, hoje que as mulheres ocupam um lugar cada vez maior no espaço público, não se irá assistir ao regresso das bruxas?"




Colectânea de contos do grande Howard Phillips, organizada por José Manuel Lopes e com introduções de Fernando Ribeiro, que me veio parar às mãos por acaso! =))

"O Deus das Pequenas Coisas é a história de três geraçõesde uma família da região de Kerala, no sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. (...) O Deus das Pequenas Coisas é uma apaixonante saga familiar que, pelos seus rasgos de realismo mágico, levou a crítica a comparar Arundhati Roy com Salman Rushdie e García Márquez."


Já tinha saudades destas minhas leituras simultâneas!!!

23 de maio de 2007

Parabéns Hergé! (embora já estejas morto... lol)


Centenário de Hergé!
Sou só eu, ou tb acham o Tintin assim um bocado para o gay? ;)
Como eu adorava este pequeno detective!
O meu amor pelo Milou só era comparável ao q sentia pelo cão do Astérix e pelo cavalo do Lucky Luke! E pelo Scooby Doo, pronto! lol!

Fiquem bem! ****

15 de abril de 2007

And the Ass Saw the Angel

«Sim, quando tudo está dito e feito, não importa o modo como se consideram as coisas, ê era, na opinião de qualquer pessoa, uma criança modelo. Sim, ê era.
Ê era também o mais solitário bebé na história do mundo inteiro. E esta não é uma vã especulação. É um facto. Deus disse-mo.
A mamã era uma porca - um lixo de uma cona, bêbeda, doente dos miolos e porca. Era preguiçosa e indolente e suja e beligerante e no seu todo malvada. A Mãe era uma esponja - uma bêbeda - de olhos esvaídos e um trambolho com um sabor a cerveja feita em casa.
As bebedeiras da mãe processavam-se em círculos, a consciência a seguir à inconsciência, como dois porcos enormes, cada um a comer a cauda do outro - um negro, gordo e incrivelmente obsceno, o outro ébrio, a falar alto, com dois olhos sanguinolentos, maldoso e muito próximo do outro - e ela aderia a esses ciclos rigorosamente.
(...)
Então, tendo posto de parte ódio suficiente para ministrar a um exército, ela começaria - e dão-me calafrios só de pensar nisso - ela começaria - esta mesma cadela perversa, perversa como a merda - ela começaria a cantar uma versão das "Dez Garrafas Verdes", numa crescente algazarra. Quando chegava à parte que dizia "...e se uma garrafa verde caísse acidentalmente, não haveria mais garrafas verdes...", dava-lhe simplesmente o amoque - sim, lançada num lance de de tão imparável violência que simplesmente não era seguro estar ao seu alcance.
(...)
Até hoje pasmo de admiração em como consegui sobreviver aos meus dias de criança. Pois dizer que ê era um bebé espancado seria um pouco mais que correcto - seria absolutamente correcto! Sim! Ê era uma porra dum bebé espancado!»

Nick Cave, E o Burro Viu o Anjo..., Editorial Estampa, Lisboa, 1997, pp.28-29

Finalmente, após um considerável tempo de busca, cá está ele, seguro nas minhas mãos, à mercê dos meus olhos ávidos... Promete... =)

21 de junho de 2006

1984

Não, não é o meu ano de nascimento. Mas está lá perto. É mesmo o famoso romance (não me lembro do nome do autor, e não tenho aqui o livro. Logo ponho quando tiver), que terá inspirado o reality show (palhaçada) "big brother". Não consigo deixar de me lembrar dele, de cada vez que vejo o noticiàrio na televisão, e ainda mais quando é algo relacionado com a política externa dos EUA. Então quando vejo os discursos abjectos de George W Bush, nem se fala... Já nem sei se podemos estar seguros do que vemos, ou melhor, do que nos mostram... Provavelmente não. O distanciamento provocado pelo excesso de informação é tanto, que, quando ouvimos que morreram mais 11 pessoas no Iraque, no máximo encolhemos os ombros. É apenas mais uma notícia. Que por sinal se repete todos os dias, por detrás do ecrán... Longe... E no entanto, que mais podemos fazer? Sugiro que mantenham os vossos pisa-papéis por perto, para que nunca se esqueçam! Acreditar no que podemos tocar, não no que podemos ver. Tão básico, tão utópico!
Seja como for, tenho as ideias um bocado confusas!
Mudando de assunto, saiu o primeiro àlbum de Joan as Policewomam, que é muito bom a avaliar pelo que ela nos mostrou na primeira parte do concerto de Rufus Wainwright, a 24 Abril de 2005 (que grande concerto, não consigo deixar de visualizar aquela tanga azul, as asas, os sapatos de verniz vermelho, sempre que ouço "The old whore's diet"! LOL!Lindo!). E o primeiro single, com a colaboração de Antony, "I defie", é soberbo!!! Acho que é um dos "must have" da estação!!! Acho que a música é o meu pisa-papel, com um belo pedaço de coral no interior...
BIG BROTHER IS WHATCHING US!!! ;)